Guilherme Morais e a poesia do lirismo

Design sem nome – 1

Há algo de barroco na poesia de Guilherme Morais!

Sim, principalmente na narrativa ornamental e dramática, sempre em tensão entre mundos opostos.

A poesia de Guilherme Morais, pelo menos neste livro de estreia, é essencialmente lírica. Mas ela provoca uma tensão no leitor, ao usar da ironia bem medida mesmo quando aquele lirismo vai buscar um amor “sem nome que seja digno/ ao seu tempo anterior/ ao seu aspecto dormente”.

Há também um desalento poético, com imagens fortes, como neste trecho:

“chegaremos muito perto da morte

e ela será pequena ao ponto de nos dar motivos para rir.

Discutiremos a beleza das palavras

e elas parecerão feitas de coisas

 

alcançadas pela manhã,

tuas risadas serão vestígios

de fotografias não retiradas.

Nossas memórias, neblinas mal projetadas,

e acordaremos do sonho”.

 

Guilherme Morais começa sua trajetória poética de forma segura, com estilo próprio e sem apego as modernices que parecem apenas jogos de palavra. Uma poética em construção, claro, mas já com o alicerce do talento!

 

Linaldo Guedes

Editor

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