Maria Pia

Maria Pia é seu nome de batismo. Maria Pia Palitot Gomes de Araújo veio ao mundo em São José de Piranhas, onde o sertão ensina cedo a soletrar coragem. Batizada com nome de santa, filha de Antônio Gomes Barbosa e de Delfina Batista Leite — a Dondon Palitot que todos conheciam pelo riso manso. Em casa eram doze irmãos: dois homens, dez mulheres e um quintal inteiro de histórias para reparar. Da mãe, herdou a simplicidade de quem faz da vida uma sala de aula sem paredes. Do pai, a inteligência inquieta e o peito disposto a encarar o vento de frente. Com eles aprendeu que bravura não é ausência de medo, mas a decisão de voar mesmo assim. É dessa matéria que são feitas suas lembranças.

Ainda menina, trocava as férias pelo giz. Enquanto outras descansavam, ela ensinava. Preparava gente para concursos como quem prepara pão: com paciência, fermento e fé. O Pedagógico veio em 1958, no Colégio Santa Rita, em Areia, sob o olhar atento das freiras alemãs da Ordem Franciscana Menor. Depois, a Pedagogia em 1972 e o mestrado em Psicologia Social em 1981, ambos na Universidade Federal da Paraíba.

Caminhou como Orientadora Educacional pelas escolas de Campina Grande entre 1973 e 1975. Plantou saber na URNE e floresceu como professora da UFPB — primeiro em Campina, de 1975 a 1984, depois em João Pessoa, até 1992. Para Maria Pia, magistério nunca foi emprego. Foi herança de sangue e escolha de alma. Numa família onde quase todos ensinavam, ela entendeu cedo que educar é um jeito de permanecer.

Traz no sotaque a poeira do sertão e nos olhos a luz de quem atravessou décadas formando gente. Este livro é mais um de seus voos. E, como todo voo, nasce do chão firme da memória.

Em 2026 publica com a Arribaçã “Réstias da memória”.

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