Li devagar, com a delicadeza e a curiosidade de quem explora algo novo. De início, “Os Quintos dos Morais” (Arribaçã Editora, 2025) me transportou à infância: aos olhares, afetos e histórias dos nossos pais e avós. Em meio à dureza — e, às vezes, aos relatos crus — também naveguei pela poesia que o autor Samuel Moraes traz na alma.
Entre trechos poéticos e outros de escrita mais literal, desvela-se a saga de uma família que resiste às dificuldades e busca forças para não seguir o roteiro predefinido daqueles que enfrentam a miséria e os infortúnios da vida. A relação familiar, as desventuras envolvendo a figura paterna e as dificuldades de quem migra do Nordeste brasileiro com o sonho de mudar de vida em São Paulo atravessam a narrativa com intensidade e humanidade.
Destaca-se também a força de uma mulher que, mesmo subjugada pelo sofrimento, persiste na mensagem de que os filhos não podem se perder — ensinamento repetido e assimilado pelo primogênito.
A narrativa de Samuel Moraes é contundente sem perder a poesia. É crua sem apagar a beleza do lirismo, revelando a coragem do nordestino que insiste em buscar o seu lugar no mundo. Uma escrita pungente, que cativa o leitor justamente por sua ambivalência entre o real e a esperança de persistir em busca do seu lugar de fala, de existência e de dignidade como cidadão nordestino brasileiro. O livro “Os Quintos dos Morais” está à venda na Amazon.
Sobre o autor
Samuel Moraes é paraibano, nascido em João Pessoa e radicado no Maranhão. Engenheiro industrial de formação, estreia na literatura com Os Quintos dos Morais, obra em que transforma memória, afetos e vivências nordestinas em uma narrativa marcada pela sensibilidade poética e pela força social.
