“Solha é uma voz solitária na poesia brasileira”

Por Águia Mendes

“Poema sobre as obras da Terra” é mais um longo poema de W. J. Solha. Essa é a sua grande marca. Difícil imaginar o autor do espetacular “Trigal com Corvos” escrevendo, por exemplo, haicais. Essa minúscula forma japonesa não cabe na voracidade épica de Solha.

Aproximando filosofia, ciência, religião, arte e história, “Poema sobre as obras da Terra” é literatura compreendida como uma forma de conhecimento, às vezes parecendo inacessível ao leitor comum, ao leitor apressado ou sem um repertório cultural mínimo para decifrar as suas sutilezas e nuances.

Poema-ensaio?  Apenas poesia cheia de referências universais, de rara erudição mas não menos literária, construída por um poeta de imaginação poderosa e dono de uma dicção própria e impossível de não ser identificada à primeira leitura.

Solha é uma voz solitária no atual panorama da poesia brasileira.

Outro aspecto que não pode passar despercebido no “Poema sobre as obras da Terra” é a sua estrutura em MOVIMENTOS inspirada na música clássica, o que dá ao poema um ritmo de sinfonia.

Enfim, é um livro que exige atenção e releituras minuciosas, mas que ao fim e ao cabo recompensa o leitor por sua profundidade e beleza.

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